Vivências na literatura 

Ao longo dos anos, a literatura me levou a lugares que eu jamais poderia ter planejado: além da leitura e da trajetória de amadurecimento da minha escrita, tive a oportunidade de participar de projetos, eventos, conversas e iniciativas relacionadas. Esta página reúne algumas dessas experiências — um registro dos caminhos que os livros me abriram e das pessoas que colocaram no meu percurso.

Livro Além de Bauman: Reflexões para o Amor em Tempos Líquidos

Trabalhei com o autor Paulo Henrique dos Santos, psicólogo e professor, do início ao fim na materialização do livro. Primeiro, a leitura crítica revelou a necessidade de um acompanhamento da reescrita, feita semanalmente com conversas com o autor. Depois, o convite para editar esse material, um projeto que agarrei com vontade de experienciar e, sobretudo, aprender. Então a preparação do texto, revisão, diagramação e projeto gráfico. Apenas o design da capa eu não me arrisco: sei avaliar um bom material, fazer é outra coisa! Por fim, a pesquisa de gráfica, gestão do cronograma, marketing e lançamento.

Mediação de conversa entre autores em encontro de leitores (online)

Recebi o convite da Fatec de Pindamonhangaba para mediar uma rodada de conversa entre os autores Aline Bei, autora de O peso do pássaro morto, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, Gustavo Ávila, autor de O sorriso da hiena, que teve os direitos comprados pela rede Globo, e Eury Donavio, autor de Fiados na esquina do céu com o inferno, vencedor do Prêmio Literário Cidade de Manaus e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

Palestrante em encontros de leitores

Em anos pré-pandemia, a Fatec de Pindamonhangaba organizou o anual e presencial Encontro de Leitores, voltado para público juvenil e infantil. Participei de alguns como palestrante, abordando temas como a Jornada do Herói, adaptações para o cinema e microcontos, além de realizar dinâmicas para a participação do público jovem.

Organizadora e mediadora de Grupos de Leitura

Assinei por 10 anos o Clube Tag Experiências Literárias e por alguns fui anfitriã e mediadora nos encontros das leituras mensais de um dos diversos grupos. Também participo do grupo independente Confraria Literária, no qual leio com minhas companheiras de aventuras o livro indicado e faço a curadoria das indicações na minha vez na rodada.

Apresentação do livro de poemas "Nua" de Dayane Tosta

Tive a honra de ser convidada pela autora para ler o seu livro antes da publicação e fazer a apresentação da obra, transcrita abaixo.

Primeiramente devo dizer que é uma grande honra apresentar a obra de Dayane Tosta, mulher incrível, admirável artista, dedicada mãe. Depois, que não há nada mais justo que um livro que fale de tanto envolvimento tenha sido escrito por ela. Encontrei-a pessoalmente apenas uma vez até o momento apesar de já termos conversado bastante. E percebi então como essas conversas haviam sido prejudicadas pela telinha do celular, porque sua presença é indescritível. Ouvi-la falar é como ser acalentado por uma música tranquila e segura; vê-la sorrir, tão espontânea, é ter a certeza da transparência dos sentimentos que parecem simplesmente fluir de seus poros. Por isso talvez não exista título melhor que "Nua" para esses textos; uma vez que o sentimento emana de sua pele, é preciso tirar todo o envoltório que poderia sufocá-lo e deixar que se dissipe, que se espalhe, transcenda e envolva quem puder alcançar.
É quase estranho dizer que os textos se agrupam em três partes claras ("Vestígios do encantamento", "Destroços da desilusão" e "Epifania da serenidade"), pois é ainda mais evidente que uma parte não poderia existir sem a outra. Pertencem a um ciclo em que as lacunas entre um ponto e outro também contam uma história embora sem palavras — está na memória de quem lê. Essas composições mimetizam as fases da vida do verdadeiro amante: o deslumbre que leva ao ápice, seguido de uma forte decepção e então a calmaria de perceber que o turbilhão de sentimentos não destrói, pelo contrário, nos torna mais sábios e fortes. Todo mundo já passou pelo menos uma vez por esse ciclo em maior ou menor escala — somos seres amantes — e aí fica fácil sentir os poemas com o coração, a pele e tudo o mais. A transformação do ser é visível em cada ciclo, assim como acabamos com a sensação de ser uma pessoa diferente a cada parte finalizada. Curiosamente, toda essa metamorfose me lembra muito um poeta que, de maneiras diferentes, fala sobre as mesmas coisas. Salve Alberto Caeiro!
O espírito livre, autêntico de Dayane reflete em suas palavras escritas. Em alguns os pemas é visível a construção cuidadosa e carinhosa da rima, completa em sua musicalidade. Vestígios do encantamento imita o véu da excelência que baixa sobre os olhos de quem ama, de quem é consumido por uma paixão sem mesmo perceber.

"Concluo sem muito pesar
Que viver é o único caminho
Para uma paixão vigorar
Basta sair do teu ninho"

É assim mesmo: parece de fato muito simples para quem ama. Tudo, que é tão novo, é tão fácil, o sonhos sequestra a ação, os olhos não se fecham, o coração abraça o mundo, sorrisos inoportunos, tudo é bom, exaltado, infinito, quanto otimismo, beleza, perfeição!
Alguns versos se parecem com alguém tentando expressar um pensamento e esconder os segredos mais profundos e dolorosos, falhando miseravelmente:

"Só a ti quis pertencer
É tempo de ser só minha
Embora tudo seja tão seu."

Não é o orgulho ferido, o amor não correspondido e ainda não superado, o desejo de vingança que movem a mão que escreve esses versos? Por que a afirmação do bem-estar e o deslize da contradição? Não é à toa que "Persistência" pertence aos Destroços da Desilusão, estado de espírito onde tudo é sombrio e também confuso, como a decisão de respirar ou não entre um e outro soluço. A perfeição está menos nas construções e uso de palavras específicas que na intensidade dos sentidos despertados.
Já em outros versos, é apenas com surpresa e um sorriso espantado no rosto que o leitor percebe tardiamente que foi envolvido pela voz da sereia — tão natural e agradável que não se pressente.

"Do que ficou nada digo
Só vivo o instante agora
Aqui é o melhor lugar
Não serei metade
Em nenhuma parte"

Porque se encontrar é assim mesmo. Enquanto se luta para se conseguir o que quer muitas vezes o caminho é perdido e o indesejado pode ser a luz que faltava para iluminar; em um instante tudo se ajeita, tudo se encaixa, sem esforço, sem estresse, sem sofrimento. E assim nasce quase sem querer algo mais bonito e sincero, que dispensa lapidação, como uma Epifania da serenidade, Deve ser por isso que o conselho mais valioso é sempre "respire". 
De certa forma, a figura de linguagem que impera nesses textos é a metalinguagem, pois as palavras acabam sendo apenas ferramenta para que o leitor chegue a algo mais precioso e profundo: sentir. Assim sendo, esses textos podem ser lidos de duas formas: apenas tinta no papel para deleite dos olhos e da mente, ou nu.  

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